A Morte, o melhor momento para meditar ~
Há duas semanas atrás, participei de outro retiro budista, em Casa Branca (MG). Novamente, o assunto principal era a morte. No Budismo, essa temática é essencial. Ouvi muitos ensinamentos preciosos expostos pela Lama Khadro. O Tema é tão intrigante, que resolvi fazer um compilado de textos a cerca do mesmo assunto. Espero que vocês possam compreender a essência de cada palavra escrita abaixo, e que possam pensar de forma positiva sobre a morte, a partir de agora. As fotos que seguem, ilustram o clima em que ensinamentos assim são expostos no templo. Que todos os seres possam se beneficiar.
Chagdud Khadro abençoando um Mala, upload feito originalmente por André Corrêa
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Ironicamente, podemos descobrir que meditar sobre a morte não é, em nenhum sentido, um exercício mórbido.

O que fazer quando alguém morrer?!
Quando um ser humano ou animal morre em nossa presença, devemos deixar de lado o choque, o pesar e outras emoções ou atividades que nos distraiam e pensar: “Este momento após a morte é uma oportunidade de liberação. Agora, vou oferecer o meu apoio nesta transição.” Devemos ter confiança nas bênçãos da nossa linhagem espiritual, na nossa compaixão, nos meios hábeis da nossa meditação e no carma positivo do falecido. O próprio fato de estarmos presentes em tal momento indica uma interdependência cármica. Assim, buscamos refúgio e invocamos o poder de nossa intenção e treinamento espirituais.
Se possível, bata de leve no chacra da coroa do falecido para direcionar a consciência sutil para cima. Evite tocar em outras áreas do corpo, especialmente nas solas dos pés, para evitar um movimento desfavorável da consciência para baixo. Contudo, se você não puder evitar que outros manipulem o corpo, não perca tempo com discussões. Ao invés disso, ponha em prática o seu método com atenção total.
A audição é o último dos sentidos a parar de funcionar, por isso é útil sussurrar no ouvido do falecido: “Agora que você respirou pela última vez, direcione a sua mente para a natureza absoluta de sabedoria e compaixão.” Também é benéfico sussurrar mantras, especialmente o mantra de Amitaba ou o mantra darani longo de Akshobia, logo após o último suspiro. Se a pessoa não for budista, talvez seja preferível fazer uma recitação mental, silenciosa.
Se você tiver feito o treinamento do Powa dos Três Reconhecimentos de Amitaba, deve iniciar a prática de transferência o mais cedo possível. Assim como a recitação de mantra, a prática de Powa pode ser feita baixinho ou em silêncio, ou, se for apropriado, até em um outro quarto.
Também é muito eficaz fazer a meditação de Tara Vermelha para os falecidos, incluída na prática concisa de Tara Vermelha. Essa prática, escrita por S.Ema. Chagdud Tulku Rinpoche, é uma prática de transferência no sentido de que através dela fundimos a consciência do falecido com a mente iluminada de Tara, que tem presente, acima de sua cabeça, Amitaba, o senhor da família Lótus. Contudo, para fazer essa prática é preciso ter a iniciação de Tara Vermelha.
Muitas sadanas longas contêm preces especiais para a transição do momento da morte que não requerem iniciação. No final da sadana de Powa, há uma prece a Amitaba; no final da Chuva de Bênçãos, há a “Ieshe Sanglam” a Guru Rinpoche. Será muito útil memorizar ou ter sempre consigo tais preces, pois não há como prever quando precisaremos delas.
As preces ao guru e à deidade meditacional apóiam a transição do falecido ao rodeá-lo com um ambiente de fenômenos puros. A dedicação do mérito gerado pela prática cria ainda mais benefícios.
No momento da morte podemos delegar a tarefa de avisar os mentores espirituais, amigos ou parentes, para que possamos nos concentrar na prática. O momento da morte pode provocar muita atividade, e nós, como praticantes, precisamos nos focar nas prioridades e oferecer aquilo que possa trazer maior benefício.




Independente de sermos espertos ou lerdos, bons ou maus, todos nós temos de encarar a morte. A morte não é uma questão de se, mas uma questão de quando e de como.
O Santuário do Caraça ~
Guardado pelas matas e montanhas mineiras, encontra-se o Santuário do Caraça. Para mim, um dos lugares mais belos do Planeta Terra. – por André Corrêa

- Vitral da Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens – Santuário do Caraça
Propriedade da Igreja Católica, o Santuário do Caraça foi fundado em 1774 para ser uma Casa de Hospedagem para a acolhida de peregrinos e visitantes, que quisessem, principalmente, se converter e mudar os rumos de sua vida.

- Vitral da Igreja Nossa Senhora Mãe dos Homens – Santuário do Caraça
Hoje conta com mais de 40 apartamentos e quartos, além de algumas casas, com acomodações mais simples, para a hospedagem de até 180 pessoas. Suas diárias são com pensão completa, isto é, com direito a café da manhã, almoço e jantar, além da entrada na Reserva Natural.
A Caminho de Bocaina

Bocaina é uma das cachoeiras da Reserva Natural do Santuário do Caraça. Sua trilha mede em média 5 Km e se vai até lá tomando o caminho da Cascatinha, no estacionamento dos visitantes. Até a cachoeira, muitos desafios e barreiras são encontrados. Pinguelas, Rios, Barreiro, Pontes frágeis e muitos outros obstáculos dão um sabor especial a caminhada que, certamente, é recompensada com a cachoeira no fim da trilha.

- Garganta do Gigante – Serra do Espinhaço
A Bocaina encontra-se entre o Pico do Inficionado e a Caraça. É um grande desfiladeiro, neste contraforte da Serra do Espinhaço. É a Bocaina que propriamente nomeou o Caraça como tal. Em tupi-guarani, caraça é desfiladeiro ou, como hoje dizemos, bocaina, uma grande depressão situada numa serra.
Bocaina, além da beleza das montanhas e dos campos por onde se passa, oferece uma série de quedas d’água, piscinas naturais e córregos para o descanso e o lazer. No tempo da seca, a trilha pode ser feita com certa facilidade, apesar da distância. Já no tempo das chuvas, a trilha fica um pouco prejudicada, além de às vezes não ser possível atravessar o rio.

- Trilha de Bocaina
Então, cada vez mais que nos aproximamos da cachoeira, percebo a grandiosidade deste Santuário. Um verdadeiro Templo natural. Repleto de Vida, Força e Paz.

- Borboleta pousa nas mãos de Lucas
Bocaina
Sem grandes quedas, a cachoeira Bocaina tem um visual espetacular com suas águas frias e avermelhadas. Apesar de sua queda ter apenas, aproximadamente, de 10 metros, a força da correnteza é grande devido ao volume de aguá que cai. Mas nada que coloque em risco quem deseja refrescar-se na queda.

- Cachoeira Bocaina

- Detalhes da Cachoeira
“A Bocaina é situada onde se apertam as serras do Inficionado e da Caraça. É um canal de onde sai o córrego que tomou o seu nome. Um passeio estreito, com pouca frente e muito fundo. Um desfiladeiro úmido e intransitável onde habitam a Noite, o Frio e o Pavor. Onde se treme de sustos e calafrios. Onde uma ave de rapina de tamanho descomunal saúda o visitante, corvejando: ‘Te pego, rapaz, rapaz, rapaz”. Um rio subterrâneo e infernal, onde as águas são turvas e pretas. A Bocaina é um Estígio. Um passeio à Bocaina é um passeio ao outro mundo”.
Padre Pedro Sarneel, C.M.
Guia Sentimental do Caraça, 1953
Contudo, Bocaina guarda com suas águas lugares fantásticos. Mas apenas os mais aventureiros conseguem chegar. Definitivamente, não aconselho ninguém a explorar sozinho o Caraça. Nesta ocasião, contávamos com um guia, que nos levou a esses lugares especiais da Serra do Caraça. Sempre que vier ao Caraça, avise sua família e na portaria do caraça deixe registrado qual a trilha você ira fazer. No caraça não é permitido acampar e a visitação a reserva natural termina as 17:00.
A Gruta de Bocaina
Escuridão. Repleta de sombras, a Gruta de Bocaina se guarda entre as águas da Garganta do Gigante na Serra do Espinhaço. Pouco antes da Gruta existe um “mini canion” onde a parada é obrigatória para admirar e fotografar sentado à beira de um paredão negativo.

Lucas observa o véu do "mini canion" da Gruta

Véu do "mini canion" Gruta
Entrar dentro da gruta sem os equipamentos de segurança e iluminação adequados é muito perigoso. Ainda assim, nos arricamos, apenas porque nosso guia conhecia cada canto da gruta. Munidos de apenas algumas lanternas, adentramos à Gruta. O primeiro salão é amplo e nota-se a presença de um rio em seu interior, que, aliás, percorre quase toda a extensão da Gruta. Prosseguindo por um corredor estreito, que vai se afunilando até caber apenas uma pessoa, chega-se ao segundo salão, onde há uma pequena queda d’água. Para experimentar e absorver a energia do lugar é essencial apagar as lanternas, ouvir o som das águas, sentir o microclima ambiente e meditar e foi o que fizemos. Sentamos em uma Rocha da Gruta, desligamos nossas lanternas, e ficamos escutando o som das aguas na completa escuridão da Gruta. Uma experiência única! Lucas ainda se arrisca em banhar na completa escuridão. Ele não conseguia segurar seu espirito primitivo de aventuras.

Lightpaint feito dentro da Gruta Bocaina

Gruta de Bocaina
Em fim, saímos da gruta para completar nosso passeio.
Ainda nos faltava conhecer um lugar muito especial do Caraça.
O Templo do Santuário do Caraça

O Coração do Santuário do Caraça
Seguindo contra as correntezas dos rios que enchem Bocaina, encontra-se o verdadeiro Templo do Caraça. Um lugar impar, sem igual e guardado por toda a Natureza. São poucos na Terra que chegaram a conhecer pessoalmente esse pequeno paraíso.

Caminhada entre rios e pedras
Simplesmente não há palavras que descrevam o verdadeiro coração do Santuário do Caraça. Espero que minhas fotografias passem pelo menos uma idéia de quão perfeito é o Caraça.
Guará, o Lobo Vermelho
O Guará possui o corpo todo dourado; as patas e os pelos da nuca pretos; a cauda, o papo e um pouco do rosto brancos. É branco também o pavilhão das orelhas, que se movimentam como um radar, captando todos os sons e movimentos.

Guará em tupi-guarani, a língua dos indígenas, significa “vermelho”.
É o maior canídeo da América do Sul, sendo encontrado desde o sul da Amazônia até o Uruguai. É canídeo, ou seja, da família do cachorro, do cachorro-do-mato, do coiote, do chacal, da raposa e do lobo europeu, estadunidense e canadense, o Canis lupus. E é o maior canídeo da América do Sul medindo da ponta do focinho até a ponta do rabo, 1,45m.
Certa vez, em maio de 1982, quando algumas lixeiras do Santuário começaram a aparecer reviradas o Irmão Thomaz, que vive hoje em Belo Horizonte, falou ao Padre Tobias, superior de então, que algum cachorro estava aprontando a bagunça. Padre Tobias achou muito difícil, porque nenhum cachorro subiria a serra com tanta freqüência. Começaram a observar e descobriram que o grande cachorro que revirava as lixeiras do Santuário do Caraça era o Lobo Guará. Desde então, os padres sempre colocam uma bandeja com carne em frente a Igreja para alimentar os Guarás. Todas as noites os visitantes podem apreciar a imponência e elegância deste belo animal.


Maiores Informaçòes sobre o Caraça:
http://www.santuariodocaraca.com.br/
As Marcas da Vida Terrena ~

No Brasil são quase 15 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, o que é relativos a 8,6% do total da população brasileira segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a Organização Mundial de Saúde (OMS) no ano de 2050 um quinto da população mundial serão de idosos. Ainda segundo projeções da OMS, nos próximos 40 anos o número de pessoas com mais de cem anos aumentará 15 vezes.



Em Sobradinho (DF) está localizado o Lar dos Velhinhos Bezerra de Menezes com 60 idosos que são mantidos pelo Centro Espírita Irmão Jorge. Os moradores da casa têm diferentes necessidades, algumas físicas como assistência para locomoção, para as necessidades fisiológicas ou para lembrar o passado e até de suas próprias necessidades.

Nos últimos seis anos, jovens, adultos, crianças e até idosos do GECCAL disponibilizam duas horas para realizar a visita aos moradores do Lar no segundo domingo de casa mês. Os participantes do grupo já receberam pedidos de casamentos e compartilham de suas felicidades quando algum familiar e as tristezas do abandono.



SEU BENEDITO

Das várias conversas nas visitas, nunca se soube ao certo qual a idade do Seu Benedito: algumas vezes ele tem 15, 32 ou até 65 anos. “Bené” tem histórias e histórias… Com uma das pernas amputadas ele disse certa vez que sofreu um acidente no trabalho na roça. Em outra oportunidade ele disse que estava com problemas na perna, que não sabia o que havia acontecido.
Benedito é namorador, diz que não quer saber de mulheres mais velhas, mas sempre tem um “caso” com Dona Margarida. Há vezes que eles estão namorando, em outras vezes terminaram, às vezes ele a quer, outras vezes não.

Seu Bené também é expressivo e conversador. Quem visita a casa e tem a oportunidade de encontrá-lo acordado, já sabe que terá boas conversas e histórias. Quando se trata do relacionamento na casa, ele não reclama do tratamento dos funcionários, mas não gosta de alguns outros moradores. Porém, quando se trata da sua vida antes de morar no lar, grande parte do que fala é fruto da imaginação. Não se sabe se ele tem filhos, mas a única pessoa que o visita de fez às vezes é uma sobrinha que mora na cidade.

Texto: Karina Viveiros
Fotografias: André Corrêa
20 Aninhos ~

=*, upload feito originalmente por De’h Corrêa.
Ontem minha loira fez 20 aninhos! Ta quase virando uma mocinha já. =P
Amooor, continue sendo essa pessoa linda e especial (L)

Nectar of the mind ~

Nectar of the mind ~, upload feito originalmente por De’h Corrêa.



